26 de jun. de 2012

GLS TEEN - CAP. 194



No capítulo anterior...
- Betina e o policial socorrem Lourdes e a levam para o hospital
- Vanilda procura Célia e a acusa de levar Joana para o mau caminho. Célia recusa se afastar de Joana
- Bebel recebe um cliente importante, cheio de formalidades, mas ela não sabe quem é ele
- Pâmela orienta a família de Betina e os aconselha a procurar ajuda psicológica para entender a transexualidade
- Gilberto e Hoffmann bebem juntos, conversam, rola um clima e eles acabam transando
- No dia seguinte, as fotos de Bebel caem na internet e ela descobre que seu cliente era um Senador

CAP. 194

BEBEL: Mona! Senador? Que luxo! Bebel não é fraca não hein? Arrastando até os figurões da República! Fala sério!
PÂMELA: Como foi isso, bicha? Conte os detalhes.
BEBEL: Eu tava lá na avenida, linda, chegando pro meu expediente, aí apareceu o maior carrão lá. O cara me intimou e me levou pra uma festinha lá no Lago Sul. Gente! Mas como eu ia imaginar que o cara era um figurão desses? Caraca!
LORRAINE: E como foi essa festinha?
BEBEL: Tinha uns dez caras lá. Uns coroas, meio derrubados. Pra falar a verdade eles nem deram conta de muita coisa.
PÂMELA: E tava só você lá pra servir essa galera?
BEBEL: Eu e mais umas cinco amapoas. Mas de trava só tinha eu. Mas eu reinei, meu bem. Atendi todos! Arrasei com as amapoas, que eu não sou obrigada, né! Bebel é profissional, meu amor!
LORRAINE: E essa foto, como foi feita? Você não viu?
BEBEL: Eu não!

Nas horas seguintes, o celular não para de tocar. Quando Bebel sai do prédio, vários repórteres a aguardam. Microfones, celulares, câmeras... Todos querem ouvir a sua versão sobre a orgia do Senador. E ela, ingênua, se sentindo o centro das atenções, fala com todos, deixa escapar detalhes comprometedores.

O fato repercute em todos os veículos de comunicação da cidade e nos principais portais de notícias e canais de televisão. Em poucas horas um grande escândalo está armado!

Mesmo preocupadas com o caso de Bebel, Lorraine e Pâmela recebem Betina, que chora e lamenta.

BETINA: Eu tô me sentindo muito culpada, sabe? Primeiro meu pai quase morreu do coração. Agora minha mãe quase se matou... Meus irmãos estão me culpando por tudo de errado que tá acontecendo naquela família. E pra falar a verdade, eu sou culpada mesmo. Se eu não tivesse falado aquelas coisas, nada isso estaria acontecendo...
LORRAINE: Betina, querida, você não é culpada de nada. De um jeito ou de outro eles acabariam sabendo. Você não pediu pra nascer assim. A gente nasce e pronto. Você já sofreu o bastante com esse problema. Você carregou isso a vida inteira sozinha. Tá na hora da sua família te ajudar a carregar esse fardo também.
PÂMELA: Você já agendou a consulta para os seus pais com a doutora Cacilda?
BETINA: Já. Mas eu não sei se ela vai conseguir fazer a cabeça deles. Meu pai é muito cabeça dura. Minha mãe é religiosa, daquelas que se casaram virgem e tudo... E até lá? E se ele passar mal, se ela fizer alguma loucura? Como é que eu fico?
LORRAINE: Querida, pare de sofrer por antecipação. Espere as coisas acontecer. Olha, não vai acontecer nada disso! Se você quiser, eu também vou lá e falo com eles. Pare de chorar. Tudo vai se resolver. Calma.
PÂMELA: A gente tá aqui pra te ajudar lindinha. Fique calma que tudo vai dar certo.

Lorraine e Pâmela a abraçam. Aos poucos ela se sente confortada e para de chorar.

Gilberto e Hoffmann jantam juntos.

HOFFMANN: Eu fico feliz que você tenha aceitado ficar aqui comigo até o outro desocupar o seu quartinho. Aliás, se você quisesse, poderia até ficar aqui morando comigo. Tenho apreciado muito a sua companhia e também aquelas outras coisinhas que a gente tem feito...
GILBERTO (meio sem graça): É muito bom ficar aqui, mas o problema é que eu não sei se eu tô preparado pra me envolver novamente com outra pessoa, entende? Eu saí de um relacionamento há tão pouco tempo... Ficar com você é muito legal, diferente pra mim, mas eu preciso colocar a minha cabeça em ordem.
HOFFMANN: Você ainda pensa no outro não é? Mas eu não me importo. Se você me der uma chance, eu prometo que faço você esquecer o burrinho de São Paulo...
GILBERTO: Mas não é tão simples assim... Melhor a gente dar tempo ao tempo, deixar as coisas acontecerem naturalmente...
HOFFMANN: Tá bom. Eu vou respeitar o seu tempo. Eu não tenho pressa mesmo... (risos)

Horas mais tarde, Gilberto vai caminhar com Joel no Parque da Cidade.

JOEL: Gilbertina, querida, eu acho que você tá dando bobeira... Veja bem: o cara de São Paulo já foi, a fila já andou. Se você não tá mais com ele, se não existe mais nenhuma possibilidade desse romance dar certo, o que você tá esperando? Vai ficar guardando luto feito uma viúva virgem? Se o coroa tá a fim de você, acho que tem mais é que aproveitar.
GILBERTO: Não sei, é tudo muito recente pra mim. Além do mais eu não tenho nenhum sentimento mais forte pelo Hoffmann. Ele é um cara bacana, divertido, gente boa, mas/
JOEL: Você ainda não tá apaixonada, né bicha? Mas é isso que tô te dizendo: vai curtindo e vê o que rola. O sentimento vem com o tempo, com o contato. Você não precisa assumir um compromisso agora. Deixa a coisa acontecer, deixa rolar e vê no que dá... Você experimentou os novinhos e só levou tinta. Experimenta um coroa agora. Eles são muito mais carinhosos, mais atenciosos, dedicados. E não tão interessados em ficar com a torcida do Flamengo inteira como os novinhos...
GILBERTO: Então tá, eu vou seguir o seu conselho. Aliás, na maioria das vezes seus conselhos foram certos. Você é um cara experiente, vivido, entende muito mais da vida do que eu.
JOEL: Com certeza. Na maioria das vezes, se você tivesse seguido os meus conselhos, não teria quebrado a cara. Vai por mim: Juju é uma bicha rodadíssima.
GILBERTO: Aliás, eu nunca te disse isso, mas eu sou muito grato a você por todos os conselhos que me deu. Eu aprendi muito com você. Se eu não tivesse te conhecido, não sei o que seria de mim...
JOEL: O importante, querida, é aprender com os erros e não cair duas vezes no mesmo buraco. Precisando, a Juju tá aqui. Mas olha: sempre vou falar a verdade, e não o que você tá querendo ouvir...

Os dois riem e a caminhada continua.

Joana trabalha no shopping, com a loja cheia de clientes, quando chegam Joselito e Jussara.

JOSELITO: O senhor é o gerente dessa loja? Eu gostaria de falar com aquela funcionária ali (e aponta)
GERENTE (para Joana à distância): Joana! Esses jovens querem falar com você.
JOANA: Desculpe, João, mas eu não tenho para falar com esses dois.
JUSSARA (falando alto, em tom de barraco): Mas eu tenho. Sua destruidora de lares! Vagabunda! Ordinária!

Todas as pessoas se voltam para elas, chocadas.

Continua amanhã...


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Você sabia?

Na literatura, destaca-se Oscar Wilde, condenado à prisão com trabalhos forçados acusado de sodomia depois de seu relacionamento com o Lord Alfred Douglas (com cerca de 20 anos), e que em seu tribunal disse viver "o amor que não ousa dizer o nome"; perguntado no tribunal que amor era este, respondeu:

"O amor que não ousa dizer seu nome é o grande afeto de um homem mais velho por um jovem como aconteceu entre David e Jônatas, e aquele de que Platão fez a base de toda a sua filosofia, é aquele amor que se encontra nos sonetos de Michelangelo e de Shakespeare. É aquela profunda afeição que é tão pura quanto perfeita. Ele inspira e perpassa grandes obras de arte, como as de Shakespeare e Michelangelo [...] Neste nosso século é mal compreendido, tão mal compreendido que é descrito como o amor que não ousa dizer seu nome, e, por causa disso, estou aqui onde estou. Ele é belo, é refinado, é a mais nobre forma de afeto. Nele, nada há de antinatural. É intelectual e sempre existiu entre um homem mais velho e um rapaz, quando o mais velho tem o intelecto e o mais jovem tem toda a alegria, esperança e charme da vida diante de si. Assim deveria ser, mas o mundo não compreende. O mundo zomba dele e algumas vezes põe por ele alguém no pelourinho."

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